domingo, 18 de janeiro de 2026

Favoritos de 2025

Eba! Mais uma lista de favoritos aqui. Este vai ser o segundo ano em sequência, o primeiro está *aqui*.

Já estamos em 2026 e neste ano o blog vai fazer dois anos! Eu nem acredito... passou muito rápido. Agradeço a minha amiga do Bosque do Robin por ter me trazido de volta para o mundo dos blogs. Amo pensar que, muito provavelmente, estes posts vão ficar para sempre na internet e que eu sempre vou poder voltar aqui para relembrar coisas e revisitar memórias. Bora lá, então.

Leituras

Em 2025 eu pude amadurecer um pouco mais o meu relacionamento com os livros e isso me fez atribuir mais sentido as minhas escolhas e compras. Comprei bastante em sebos e fui muito feliz com meus livros novos! 

Vou destacar um livro de cada seção:

1. Da Bíblia o livro favorito foi o Atos dos Apóstolos. Destaque especial para o episódio da Pregação de São Paulo em Atenas (At 17, 16-34): simplesmente um dos episódios mais incríveis não só da Bíblia, como da História Antiga: 

Paulo, estando em pé, no meio do Aréopago, disse: "Homens atenienses, em tudo vos vejo muito religiosos. Porque, indo eu passando, e vendo os vossos monumentos sagrados, encontrei também um altar, sobre o qual estava escrito: Ao Deus desconhecido. Aquele, pois, que vós adorais sem o conhecer, esse vos anuncio! 

2. Das leituras espirituais, destaco o livro "Cristo versus Satanás em nosso dia a dia". O título chama atenção, bem como o conteúdo do livro também. O autor americano fala de tudo um pouco: manifestações demoníacas, desânimo e depressão, pecados capitais... eu gostei bastante da leitura, aprendi muitas coisas, sendo uma delas a de que o maligno quer que as pessoas NÃO questionem o estado das coisas do mundo. 

3. Da seção de literatura eu quero destacar "Rei Édipo" e "Antígona", as peças de Sófocles. Quando peguei para ler, não imaginava que encontraria tanta profundidade ali apesar de saber que os mitos por trás das peças são profundos e atemorizantes talvez (?). Eu não consegui ler tanto de literatura quanto gostaria, mas o que li me marcou profundamente. Também posso destacar aqui "O Idiota", do Dostô (o final me causou arrepios) e "Um Cântico para Leibowitz", de Walter Miller Jr., uma distopia que acompanha um mundo pós-apocaliptico sob a perspectiva de um mosteiro católico.

4. Agora, da seção que eu mais li em 2025, não ficção, destaco a minha releitura de "A Vida Intelectual" do Sertillanges e "Mito e Realidade" do Mircea Eliade.

Fiz resenha para O Idiota e para Mito e Realidade e estão *aqui*. Também registrei algumas das minhas leituras no goodreads.

Entretenimento 

* Filmes favoritos: A Vida é Bela (1997), O Príncipe do Egito (1998) e O Castelo no Céu (1986).
* Podcast que mais ouvi: Memoria Press | podcast em inglês sobre livros e educação clássica, bom para treinar o listening.
* Canais favoritos do youtube: Tatiana Feltrin e Literary Testing (livros) | julia belinatti (vlogs) | Thalita Campedelli (vlogs, maternidade e vida cotidiana)
* No final do ano eu comprei um livro de bobbie goods e é maravilhoso e divertido, estou pintando bem de vez em quando.

Música

Antes de qualquer coisa: EU FUI NO SHOW DO LINKIN PARK!!!!!!!!!! às vezes nem acredito, sabe? Foi um dos dias mais divertidos da vida. A Emily e o Mike são surreais ao vivo e a setlist foi dos sonhos (só faltou IGYEIH!) - os vídeos do show ficaram hilários, apesar de só conseguir ouvir meus gritos. A gente não conseguiu chegar a tempo de ver a Poppy no show de abertura, mas depois eu acabei ouvindo mais dela (e ficando triste por não ter visto o show). 2025 foi o ano de música mais pesada mesmo (rock!!!!!).

* Artistas favoritos: Radiohead, Linkin Park, Jeff Buckley e Turnstile.
* Álbums do ano: The Bends (1994), Grace (1994), From Zero (2024), GLOW ON (2022) e NEVER ENOUGH (2025). 
* Músicas favoritas: 
Dá para acreditar que ouvi uma dessas ao vivo! Nem acredito.

Momentos em fotos


* Meu cachorro ficou bem mal a maior parte do ano, mas ele tem seus momentos bons e ainda está com a gente :) estamos aprendendo a cuidar de um idoso de 16 anos.
* Passeamos bastante: conhecemos muito sebos, tomamos sorvetes...
* Show do Linkin Park :)
* Dei muitas aulas e, apesar do estresse, vivi momentos memoráveis.
* Acompanhei o conclave! Que momento emocionante (eu estava vendo na hora!!!).
* Fiz um curso de História da Arte Antiga e Medieval <3
* Passamos uma manhã de domingo no mosteiro e no carmelo aqui de Brasília e até gravei um vídeo.
* Fiz uma capa para o meu Kindle depois de 2 anos e isso me fez muito feliz.
* Fizemos uma viagem inesperada para Campinas e eu amei a cidade.

Tchau! 2026 vai ser um ano de muitas mudanças por aqui. Em breve espero poder escrever sobre elas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Cartas a Theo, Van Gogh | comentários e recomendações

Depois de um bom tempo apareci por aqui com uma resenha :)


Nos últimos meses reduzi bastante a minha frequência de leituras por motivos de trabalho e últimos meses de graduação (yay!), mas em setembro decidi reler Cartas a Theo, já que tinha comprado no sebo uns meses atrás e que havia acabado de ler "Cartas a um Jovem Poeta" do Reiner Maria Rilke (que, aliás, não me agradou tanto), então peguei o embalo e li dois livros epistolares neste ano.

Eu já havia lido Cartas a Theo em 2023, pelo Kindle, mas sem muita prentensão. O interesse pela figura do Van Gogh surgiu a um tempo pela presença dele na cultura visual dos últimos anos (A Noite Estrelada parece fazer parte da cultura pop dos últimos anos ou é coisa da minha cabeça?), mas o interesse pelas cartas em si foi mais recente e não me lembro exatamente como e quando aconteceu, mas de alguma forma cheguei no Van Gogh.

Eu gosto de conhecer mais sobre artistas, suas vidas e processos criativos porque eu me identifico com muitos deles em vários sentidos. No caso do Van Gogh, diria que a minha identificação parte pela sensibilidade que ele transmite. Pelas cartas conseguimos entender que a genialidade dele estava justamente na capacidade de apreciação daquilo que parece banal ou simples demais. Ele admirava grandes pintores e os estudava com paixão, mas a vida o impeliu a pintar coisas que são comuns a todos nós (por mais que não pareçam): a natureza e a luz. 

Eu ainda não li a biografia do Van Gogh (na verdade, eu ainda não li nenhuma biografia :(), mas acredito que estas questões devam ficar mais claras com o conhecimento da personalidade dele que, inclusive, parecia muito complexa e conturbada, mas a verdade é que qalquer comentário que eu faça sobre a personalidade dele seria insuficiente ou apenas um palpite, já que as cartas não são suficientes para compreender esse aspecto. Pelo o que entendi, as edições de Cartas a Theo contam com as cartas do Van Gogh para o irmão, somente, ou seja, não temos acesso àquilo que o irmão escrevia. Na verdade, até temos acesso sim, mas as cartas não estão traduzidas (caso alguém por aí fale holandês ou francês, as cartas estão aqui).

Falando nesse site aí, eu AMO quando encontro sites na internet que sejam relacionados à leitura que estou fazendo... existe tanta coisa interessante na internet se a gente conseguir procurar, né? Nesse site eles disponibilizam todas as cartas originais digitalizadas, comentários, explicações e coisas do tipo. Também conseguimos ver os desenhos que o Van Gogh enviava para o irmão (achei isso o máximo!).

Carta 173 (essa ilustração me lembrou a gravura do Gustavo
Doré para o Círculo dos Suícidas na Divina Comédia ↓)


O que eu não achei o máximo foi a minha edição. Como comentei, comprei no sebo por 25 reais uns meses atrás e é uma edição da década de 70 bem usadinha e com marcas o tempo (o que gosto), mas acontece que a diagramação é horrível. A edição não divide as cartas de um jeito coerente e o que temos são trechos de cartas que não dá para entender quando começam ou terminam. Existe uma enumeração nas cartas que não é explicada em lugar nenhum do livro. Acredito que a edição mais recente do livro corrija tudo isso. 

Tirando as intercorrências com a edição, as cartas são muito interessantes, mesmo o livro ficando maçante em determinado momento. Obviamente as cartas são muito pessoais, mas em X momento ficam TÃO pessoais que eu não sabia se deveria estar lendo. Não que tenha algo muito pessoal nas cartas selecionadas do livro, mas em alguns momentos não dá para entender muito bem do que eles estão falando (até porque não existem notas explicativas). De qualquer forma, as cartas trazem trechos e narrações sobre o cotidiano do Van Gogh, a luta contra a fome e a escassez de material para o trabalho, já que o pintor foi sustentado pelo irmão, Theo, que bancava o trabalho do irmão e as necessidades dele como homem e pintor.

Pelas cartas sabemos que: o Van Gogh nasceu em uma família protestante, o pai era pastor; ele tenta seguir os passos do pai, mas não consegue por várias questões; sabemos que ele era um viajante, quase um nômade, já que não ficava muito tempo no mesmo lugar; ele amava ler e durante as cartas ele cita vários livros que estava lendo (amei isso, fiz uma lista com alguns) e também podemos saber que, aos poucos, o Van Gogh foi perdendo a fé em Deus (o que é triste). Ele vai sendo corroído, lentamente, pelas questões mentais e debilidades psicológicas. 

Apesar do sofrimento psicológico e da fome, o Van Gogh parecia um homem muito perseverante e determinado. A produtividade dele era impressionante, acredito que ele pintava dezenas de quadros em uma semana. Em vários momentos ele comenta sobre a necessidade do trabalho para o manter são.

Eu queria muito poder colocar várias partes lindas aqui, mas escolhi as minhas favoritas para deixar aqui juntamente com algumas pinturas lindas, interessantes e pouco conhecidas do Van Gogh.

"A vida não nos teria sido dada para enriquecer nossos corações, mesmo quando o corpo sofre?"

Canteiro de Flores na Holanda (1883)

"É bom amar tanto quando possamos, pois nisso consiste a verdadeira força, e aquele que ama muito realiza grandes coisas e é capaz, e o que se faz por amor está bem feito."

Avenida dos Choupos no Outono (1884-85)

"Preferi a melancolia que espera e que aspira e que busca, àquela que embota e, estagnada, desespera."

Le Moulin de la Galette (1886)

"Mas involuntariamente sou levado a crer que a melhor maneira de conhecer Deus é amar muito."