sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Leituras atuais

 Atualmente estou tentando não enlouquecer com a quantidade de coisas que estou lendo. A quantidade se justifica porque estou me preparando para o processo seletivo do mestrado e eu ainda nem comecei a lista de leituras para a prova escrita. Já fazem quase dois meses que estava imersa nas leituras para o projeto e não faço ideia de quantos artigos e livros li e consultei desde dezembro. De qualquer forma, senti que ganhei habilidade para fazer consultas e notas eficientes de cada um. Agora quero aprender a fazer bons fichamentos.

Enfim, estou tentando ler coisas por fora também. Eu amo ler, mas às vezes me distancio da leitura por prazer e isso é triste. 

Agora, além das coisas que citei aí, estou lendo/relendo:

#1 Odisseia, de Homero.

Relendo, na verdade. Faz parte do meu projeto e a releitura está sendo boa (é um dos meus livros favoritos), mas não dá pra negar que o prazer da leitura se esvaneceu talvez porque agora tenha deixado de ser só entretenimento. De qualquer forma, estou feliz por reler e animada com o filme do Nolan (animada, mas sem expectativas).

#2 Grandes Esperanças, Charles Dickens.

Eu tentei ler "Um conto de Natal" no ano passado, pelo Kindle e confesso: não estava gostando. Desisti. Masss, acho que neste ano vou tentar ler novamente (em uma versão física). Essa edição de Grandes Esperanças estava aqui me esperando já tinha um tempo e peguei para ler semana passada. No início não estava me sentindo interessada pela história, mas insisti um pouquinho e que maravilha! Estou amando agora. Procurei um pouco sobre o enredo antes e saber, mais ou menos, o que vai acontecer me deixa animada para continuar. Tem capítulos de caráter mais psicológico bem bonitos. 

#3 A vida na Grécia, de Will Durant.

Comprei ano passado, no lançamento, por indicação do prof. Ricardo da Costa durante o curso dele sobre História da Arte. É um tijolo de 700 e poucas páginas sobre a Grécia. O Durant é, infelizmente, menosprezado pelos acadêmicos da atualidade e acho que entendo o motivo. De qualquer forma, a leitura é bem envolvente e já dei várias risadas lendo (?). Só Deus sabe quando vou terminar e SE VOU terminar. Enfim, não tenho pressa.

#4 A Grécia Arcaica de Homero a Ésquilo, da Claude Mossé.

Primeiro livro de biblioteca que leio na vida (não moro perto de nenhuma). Preciso confessar que não estou gostando da ideia de ter que ficar renovando, isso me deixa pressionada e eu não consigo ler um livro tão importante para mim de forma tão rápida. Não sei se vou terminar, estou pensando em só fazer uma leitura e mapeamento das ideias para devolver e pegar de novo posteriormente caso eu precise.

Estou usando o goodreads para registrar algumas dessas leituras :) (meu perfil aqui)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Mudei o nome do blog :)

Há um tempo eu estava querendo mudar o nome do blog porque nomes em inglês dificultam, né? Na verdade, eu não mudei, mas só traduzi. Agora é "leituras da Camila", bem melhor, né? Agora vou ter que reajustar todos os links por aí (igual mudar os documentos quando troca de nome hahaha).

Até mais!

Reflexões sobre exposição feminina

Vocês já notaram que, nas últimas décadas, a ideia de "ser mulher" está intimamente ligada com a necessidade de se expor?

Eu venho pensando sobre isto desde o ano passado quando a Taylor Swift começou a divulgação do seu último álbum. Preciso dizer que eu senti espanto e raiva. Sim, raiva. Raiva porque percebi que ela estava, aos poucos, entrando ao esquema asqueroso dessa indústria: se você quer permanecer no topo, vai ter que fazer concessões (e não que ela já não tenha feito, inclusive acho que a vida dessas artistas é construída sobre concessões contínuas da própria identidade, individualidade...). 

Eu vi uma postagem ontem no Instagram que provocava o seguinte questionamento: por que as mulheres, no universo do entretenimento, precisam estar em constante estado de performance enquanto os homens podem reivindicar essa necessidade de se construir uma persona para fazer sucesso? 

Será que isso talvez não tenha ligação com a construção social no Ocidente das últimas décadas de que a mulher, se quiser "tornar-se" mulher, precisa se expor? 

Já pararam para pensar no que aconteceu com a Sabrina Carpenter nos últimos anos? Essa moça, antes de se tornar o fenômeno que ela é agora, já tinha uma carreira. No entanto, o sucesso só veio quando ela decidiu diminuir a quantidade de roupas e aumentar o vocabulário de cunho sexual. Será que ninguém percebe isso? Se incomoda com isso?  

E eu digo isso não baseando minhas reflexões apenas no que vejo sobre a lógica da indústria pop, mas no vi que nas salas de aula, por exemplo, e no que eu mesma vivi nos últimos anos. Será que eu fui a única a passar pela fase de sentir que precisava chamar atenção? De que precisava usar roupas desconfortáveis e reveladoras caso quisesse ter uma personalidade? Ser vista como mulher? Eu notei isso no meio escolar. E foi triste e dilacerante. As meninas querem ter atenção masculina e isso passa pela necessidade de mostrar o corpo.

Por que isso acontece? De onde surge essa necessidade inconsciente? Será que não vem das imagens circuladas no imaginário social nas últimas décadas? Por que a noção de feminilidade atual está ligada com a ideia de um comportamento sexualizado? Qual é o papel do capitalismo, da sociedade de consumo e das figuras tidas como celebridades no cultivo dessas estruturas sociais que vêm sendo impostas sobre o universo feminino?

Penso que isso é reflexo do cultivo ao prazer na sociedade moderna. As mulheres querem se liberar do julgo alheio (lê-se: julgo masculino), mas não percebem que os seus comportamento supostamente libertadores direcionam-se à necessidade de perpetuar o prazer, o desejo de chamar atenção e de sentirem adoradas.

Preciso refletir mais sobre o assunto.