quinta-feira, 4 de junho de 2026

Exercícios de escrita #1: canteiro de obras, memórias do subsolo e humildade

Quando penso neste livro penso num homem descontrolado invadindo um canteiro de obras em uma cidade pequena. A obra estaria localizada justamente na avenida principal da cidadezinha e claramente ameaçaria a estabilidade urbanística da região: a avenida principal ganharia, pela primeira vez, um edíficio com mais de dois andares. A revolta daquele homem não seria suficiente para que a obra fosse interrompida ou algo do tipo, apesar de que os vizinhos dele também passaram a sentir raiva com o tempo. Dizem que a raiva pode ser contagiosa e neste caso foi mesmo: a construção continuou e o edíficio ficou pronto, mas a que custo? 

Nos dois primeiros capítulos de "Ortodoxia" (cujos títulos são, respectivamente: "O Lunático" e "O suícidio do pensamento"), Chesterton invade esse canteiro de obras em que vivemos e parte do pressuposto de que o local passou por uma grande demolição. Será que conseguimos recolher algo desses escombros?

No primeiro capítulo, o fio condutor gira em torno da simples ideia de que "autoconfiança completa não é meramente um pecado; é uma fraqueza". Talvez não exista nada melhor que exemplifique esta ideia do que "Memórias do Subsolo" do Dostoiévski. Tenho um leve pressentimento de que o Chesterton leu esse livro do Dostoiévski, pois as conexões entre as ideias de ambos são impressionantes. Já esbocei essas ideias em outro texto (clique aqui para ler), mas, basicamente, o homem do subsolo é analisado psicologicamente pelo Chesterton: o que enlouquece alguém não é a imaginação, mas a razão. O homem doente do subsolo é doente porque perdeu tudo e todos, exceto a razão. 

O que, afinal de contas, pode garantir a sanidade do homem? Segundo o autor, é o senso de mistério. Enquanto há mistério, há saúde. Mistério em que sentido? No sentido de reconhecimento da insuficiência da mera realidade material. A visão do "místico" é dupla (uma sobreposição da realidade espiritual sobre a material) e, portanto, melhor. 

Uma das minhas frases preferidas do livro está no capítulo II: "... se um homem quer tornar seu mundo grande, deve sempre tornar a si mesmo pequeno". Reconhecer nossa pequenez diante os mistérios da realidade, pois como diz o mesmo autor em outra obra: "a humildade é a mãe dos gigantes."

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Comentários sobre a "carta aos jovens sobre a utilidade da literatura pagã" de São Basílio

Sempre tive muita curiosidade em relação a este título por conta do meu interesse pela Tradição Clássica, mas especialmente por Homero.


São Basílio Magno, autor da carta, viveu no século IV de nossa era e destacou-se pela sua erudição e habilidade de oratória. Logo conseguimos perceber esta habilidade durante a leitura da carta, inclusive. O texto é repleto de citações a textos romanos e latinos. Aliás, quero fazer até uma lista dos autores e obras citadas.

O ponto principal da carta resume-se ao questionamento acerca da conveniência da leitura da literatura pagã para os cristãos. A dúvida devido ao conteúdo de conteúdos explícitos ou tidos como viciosos pelos cristãos dentro da literatura profana. Basta conhecer um pouco sobre a natureza sensual dos deuses olímpicos para entender o ponto.

São Basílio, homem de sabedoria distinta, vai direto ao ponto logo no início: devemos nos ocupar "da leitura dos poetas, dos oradores, de todos os escritores que podem nos servir para aperfeiçoar nossa alma." Pois se quisermos imprimir em nossas almas uma noção firme de beleza devemos iniciar nas leituras profanas se quisermos chegar nas coisas sagradas. Tal ideia se conecta com o fim da carta quando Basílio escreve que "a leitura profana nos ajuda a traçar o primeiro esboço de virtude."

Portanto, o que o arcebispo de Cesareia faz é defender a utilidade das leituras dos escritores pagãos nos círculos de estudos cristãos de seu século. A questão diferencial é que, para Basílio, aquele que não pode entregar-se por completo aos autores profanos já que o cristão, ao se deparar com aspectos questionáveis da moralidade greco-romana, deveria saber decantar o conteúdo, separar o joio do trigo. A regra de ouro seria: absorver tudo que há de bom e útil e rejeitar o que não convêm. 

O louvor à virtude já estava contido nas obras provenientes da Tradição Clássica e, portanto, caberia ao leitor cristão saber extrair estas máximas de sabedoria.

Basílio cita Homero e o seu "constante elogio à virtude". Algo interessante, neste ponto da leitura, me fez lembrar de uma leitura do ano passado (que inclusive comentei aqui no blog): "Mito e Realidade" do Mircea Eliade, onde o escritor romeno comenta sobre o processo de "metaforização" e "alegorização" dos mitos no contexto helenístico, quando os mitos passam a serem desacreditados como crença religiosa. A ascensão da noção de moralidade passou a colaborar com a ideia de que não fazia mais sentido acreditar em deuses tão soberbos e descontrolados. Agora, a mitologia passaria a ser lida como espaço de meras manifestações simbólicas. Eliade diz que foi esse processo de alegorização que "salvou" Homero culturalmente falando.

Basílio, portanto, parece estar nessa nova maneira de interpretação do arcabouço mitológico greco-romano onde: "pelo fato de não estar mais carregada de valores religiosos viventes, essa herança mitológica pôde ser aceita e assimilada pelo cristianismo. Ela se convertera num 'tesouro cultural'. Em última análise, a herança clássica foi salva pelos poetas, pelos artistas e filósofos" (página 137 de "mito e realidade").

Por fim, essa alternativa oferecida por Basílio não menospreza a tradição clássica de maneira alguma, mas, muito pelo contrário: a vê como um córrego que enche um rio. 

Interpretações para Odisseia de Homero

Fonte: Mitologia e Filosofia: o sentido dos mitos gregos de Luc Ferry

Estou estudando mais sobre a Odisseia enquanto a releio dois anos após a minha releitura. Agora, além de me atentar ao enredo em si, estou pesquisando e me detendo em aspectos específicos que serão úteis para a futura pesquisa no mestrado.

Ano passado eu havia comprado este livro e agora acabei o pegando pois acreditei que seria o momento ideal para o consultar. O primeiro capítulo já começa na Odisseia e a explicação do autor para isso já me causou interesse: a Odisseia abre as portas para aquilo que seria a transição entre o "mythos" e "logos", ou seja, entre o predomínio da mitologia e a ascensão da filosofia.

O autor, o francês Luc Ferry, oferece algumas linhas de interpretações para a obra e gostaria de compartilhar sobre elas aqui.

Na primeira, o autor nos faz pensar sobre como a Odisseia é uma jornada rumo à ordenação do cosmos, daquela amostra de realidade na qual a epopeia se situa. Com Ulisses partimos do caos ocasionado pela guerra à harmonia [desejada] do lar. Ulisses parte de Troia com o intento de retomar o seu posto central em seu pequeno cosmos, a sua Ítaca que, mal ele sabia, também estava tomada pelo caos provocado pela sua ausência. Entretanto, a jornada rumo ao lar é tomada por obstáculos. Afinal de contas, o custo que se tem para alcançar a harmonia é alto.  

O processo de retorno ao seu pequeno cosmos não se resume ao retorno ao seu estado inicial. Não podemos reduzir a sua volta [e a transformação deste episódio em uma das maiores epopeias da história da humanidade] a uma explicação meramente mecânica e isenta de um sentido maior, pois fazer isso seria perder grande parte daquilo que podemos extrair da história. O retorno do herói ao seu lar é, também, um retorno a sua identidade, àquilo que o torna verdadeiramente homem: o convívio com os pares. Aqui, é importante fazer um adendo para dizer que esta interpretação só faria pleno sentido se posicionada na Grécia pós advento da ideia de pólis, onde a cidade passa a ser o espaço ideal para o exercício da essência do homem enquanto ser político o que, no caso de Homero, não é possível já que as epopeias representariam uma sociedade anterior àquela que tomaria forma até ser a pólis que tanto conhecemos. Portanto, esta explicação é estritamente simbólica. A questão fundamental é compreender que, ao retornar ao seu pequeno cosmos, Ulisses retorna ao espaço onde o seu eixo existencial toma forma: a cidade, o palácio. 

Longe da ordenação familiar e política e, neste caso, na guerra, o homem perde o seu senso de ser e as suas memórias familiares tornam-se insignificantes. Perder a memória, para um grego, é literalmente conhecer a morte. O que é o inferno grego se não aquele espaço onde os espíritos tornam-se indistintos e sem nome? 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Comentários sobre Grande Esperanças de Charles Dickens

Ano passado, no natal, eu tentei ler pelo Kindle Um Conto de Natal do Dickens e, por incrível que pareça, não consegui terminar. Agora, em fevereiro, em meio as leituras da vida de estudos eu estava em busca de uma leitura de descanso para intercalar e acabei pegando da estante Grandes Esperanças e já posso começar dizendo: que surpresa maravilhosa.

Eu queria todos os livros dessa coleção maravilhosa.

O livro narra a história de Pip, um órfão criado pela irmã e pelo cunhado, no interior da Inglaterra, mas próximo da cidade de Londres. O Pip acaba recebendo uma espécie de herança misteriosa e logo a vida dele muda da água para o vinho: ele acaba saindo da vida pacata do interior em direção à vida tipicamente burguesa na capital. Vamos acompanhar, durante as 600 e poucas páginas, a rápida ascensão social de Pip e a lenta e dolorosa decadência moral. O romance é narrado em primeira pessoa pelo próprio protagonista e logo conseguimos perceber que, no meio dessa história por vezes mirabolante, alguma coisa deu errado. 

Eu fiquei surpresa com o desenrolar da história e com a quantidade de cliffhangers que o Dickens inseriu no romance. Essa "tática" faz sentido que os capítulos saíam no jornal. Por vezes senti que eu estava acompanhando um enredo típico de novela das nove (o que eu amei, inclusive). A narrativa é repleta de reviravoltas e não dá vontade de parar de ler (eu cheguei a ler 40 páginas em um dia sem nem reparar). 

Apesar de já ter lidos alguns títulos de autores ingleses, confesso que, pela primeira vez, eu senti interesse pelo país em si. As descrições do Dickens me fizeram pesquisar e abrir o google maps para saber mais sobre os lugares citados e vou confessar que a descrição sincera de Londres colaborou com meu esteriótipo sobre a cidade. Vale lembrar que o livro foi escrito em plena modernização e consolidação do capitalismo na cidade chamada "a oficina do mundo", logo o Dickens viveu e soube retratar magistralmente esse ambiente em sua escrita.

Podemos dizer que Grandes Esperanças é um livro sobre muitos assuntos, mas principalmente sobre arrependimento e sobre autoconsciência moral: o Pip nos mostra que a natureza humana é livre, mas principalmente, livre para se arrepender dos erros cometidos. Também nos mostra que a vergonha de olhar para si, de olhar para o passado, pode ser até uma tentação demoníaca contra o arrependimento genuíno. O Pip me ensinou a não ter medo das feridas abertas por situações e por pessoas: afinal de contas, nós mesmos não estamos isentos de magoar alguém, não é verdade?

As confissões honestas dos momentos de raiva, de vergonha e até nojo que o protagonista sente de pessoas ou lugares são convites para nós, leitores, a olharmos para nosso interior em busca de arrependimento e reconhecimento das nossas quedas. Pip, obrigada pela sua honestidade.

Poderia falar mais sobre muitas coisas: sobre a amizade dele e do Herbert, sobre a relação dele com os adultos durante a infância, sobre a figura peculiar da srta. Havisham e sobre o amor platônico dele por Estela. Sinto que o Dickens soube tratar dos mais variados temas de forma tão singela e natural que mesmo nos momentos inverossímeis da narrativa nos sentimos imersos em uma realidade dolorosa e, principalmente, REAL.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Detox de barulho pelas próximas semanas

Estamos na quaresma. Para os católicos, os quarenta dias que antecedem a Páscoa. É tradição escolher uma penitência para que possamos viver esse período de forma mais meditativa e intencional.

Geralmente a escolha da penitência é particular e privada (ninguém precisa saber), mas eu quis registrar aqui porque eu tenho fé em Deus que Ele vai me ajudar a seguir com a que escolhi para este ano que é não ouvir música.

Eu decidi registrar isso aqui não para me gabar (estamos falando isso em um blog e não no instagram! xD), mas porque acredito que esse "detox de barulho" vai mudar minha vida. Pelo menos é o que eu acho e espero. Digo isso porque dois anos atrás eu consegui, aos poucos, me desapegar do instagram e mudou minha vida também. 

Agora, o objetivo é me desapegar da música. Eu amo música e sempre vou amar, mas eu quero regular isso na minha vida porque percebi que não estava ouvindo música com o intuito de apreciar o conjunto (composição, melodia, intencionalidade), mas porque queria evitar o silêncio mental. Não sei como estava conseguindo estudar com música de fundo. Infelizmente eu estava hiperestimulada mesmo NÃO estando no instagram ou algo do tipo. Enfim, espero poder relatar a linha de chegada daqui um tempo. 

Para complementar o período de reflexão e reclusão, escolhi uma leitura espiritual que tem relação com o que comentei acima chamada "A força do silêncio: contra a ditadura do barulho". Vou aproveitar o ensejo para dizer que: estou sem palavras (kkkkkkkkkkkkkkkkk), que livro maravilhoso e precioso. Só está me fazendo sentir mais raiva do mundo de hiperestimulos e normalização do barulho. Graças a Deus minha vizinha barulhenta deu uma pausa desde o início do ano \o/. 

Frases do livro: 
★ "Não há lugar no mundo onde Deus esteja mais presente do que no coração humano. O coração realmente é a morada de Deus, o templo do silêncio."
★ "O que poderia ser mais justo e mais útil, mais natural e mais conveniente ao ser humano que amar o que é bom? E o que há de tão bom quanto o próprio Deus?"
★ "Quem ama a Deus deve tentar preservar ou criar a atmosfera em que possa encontrá-Lo. Os cristão deveriam ter lares tranquilos porque seus corpos, assim como suas casas, são templos de Deus."
★ "A vida de silêncio deve proceder a vida ativa."
★ "Sem silêncio não há descanso, serenidade ou vida interior."
★ "Os maiores mistérios do mundo nascem e se desenrolam em silêncio. Como a natureza se desenvolve? No maior silêncio."

★ "As maravilhas da criação são silenciosas e só podemos admirá-las em silêncio. A arte também é fruto do silêncio."

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Minhas leituras atuais

Atualmente estou tentando não enlouquecer com a quantidade de coisas que estou lendo. 

A quantidade se justifica porque estou me preparando para o processo seletivo do mestrado e eu ainda nem comecei a lista de leituras para a prova escrita. Já fazem quase dois meses que estava imersa nas leituras para o projeto e não faço ideia de quantos artigos e livros li e consultei desde dezembro. De qualquer forma, senti que ganhei habilidade para fazer consultas e notas eficientes de cada um. Agora quero aprender a fazer bons fichamentos.

Enfim, estou tentando ler coisas por fora também. Eu amo ler, mas às vezes me distancio da leitura por prazer e isso é triste. 

Agora, além das coisas que citei aí, estou lendo/relendo:

#1 Odisseia, de Homero.

Relendo, na verdade. Faz parte do meu projeto e a releitura está sendo boa (é um dos meus livros favoritos), mas não dá pra negar que o prazer da leitura se esvaneceu talvez porque agora tenha deixado de ser só entretenimento. De qualquer forma, estou feliz por reler e animada com o filme do Nolan (animada, mas sem expectativas).

#2 Grandes Esperanças, Charles Dickens.

Eu tentei ler "Um conto de Natal" no ano passado, pelo Kindle e confesso: não estava gostando. Desisti. Masss, acho que neste ano vou tentar ler novamente (em uma versão física). Essa edição de Grandes Esperanças estava aqui me esperando já tinha um tempo e peguei para ler semana passada. No início não estava me sentindo interessada pela história, mas insisti um pouquinho e que maravilha! Estou amando agora. Procurei um pouco sobre o enredo antes e saber, mais ou menos, o que vai acontecer me deixa animada para continuar. Tem capítulos de caráter mais psicológico bem bonitos. 

#3 A vida na Grécia, de Will Durant.

Comprei ano passado, no lançamento, por indicação do prof. Ricardo da Costa durante o curso dele sobre História da Arte. É um tijolo de 700 e poucas páginas sobre a Grécia. O Durant é, infelizmente, menosprezado pelos acadêmicos da atualidade e acho que entendo o motivo. De qualquer forma, a leitura é bem envolvente e já dei várias risadas lendo (?). Só Deus sabe quando vou terminar e SE VOU terminar. Enfim, não tenho pressa.

#4 A Grécia Arcaica de Homero a Ésquilo, da Claude Mossé.

Primeiro livro de biblioteca que leio na vida (não moro perto de nenhuma). Preciso confessar que não estou gostando da ideia de ter que ficar renovando, isso me deixa pressionada e eu não consigo ler um livro tão importante para mim de forma tão rápida. Não sei se vou terminar, estou pensando em só fazer uma leitura e mapeamento das ideias para devolver e pegar de novo posteriormente caso eu precise.

Estou usando o goodreads para registrar algumas dessas leituras :) (meu perfil aqui)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Mudei o nome do blog :)

Há um tempo eu estava querendo mudar o nome do blog porque nomes em inglês dificultam, né? Na verdade, eu não mudei, mas só traduzi. Agora é "leituras da Camila", bem melhor, né? Agora vou ter que reajustar todos os links por aí (igual mudar os documentos quando troca de nome hahaha).

Até mais!

domingo, 18 de janeiro de 2026

Favoritos de 2025

Eba! Mais uma lista de favoritos aqui. Este vai ser o segundo ano em sequência, o primeiro está *aqui*.

Já estamos em 2026 e neste ano o blog vai fazer dois anos! Eu nem acredito... passou muito rápido. Agradeço a minha amiga do Bosque do Robin por ter me trazido de volta para o mundo dos blogs. Amo pensar que, muito provavelmente, estes posts vão ficar para sempre na internet e que eu sempre vou poder voltar aqui para relembrar coisas e revisitar memórias. Bora lá, então.

Leituras

Em 2025 eu pude amadurecer um pouco mais o meu relacionamento com os livros e isso me fez atribuir mais sentido as minhas escolhas e compras. Comprei bastante em sebos e fui muito feliz com meus livros novos! 

Vou destacar um livro de cada seção:

1. Da Bíblia o livro favorito foi o Atos dos Apóstolos. Destaque especial para o episódio da Pregação de São Paulo em Atenas (At 17, 16-34): simplesmente um dos episódios mais incríveis não só da Bíblia, como da História Antiga: 

Paulo, estando em pé, no meio do Aréopago, disse: "Homens atenienses, em tudo vos vejo muito religiosos. Porque, indo eu passando, e vendo os vossos monumentos sagrados, encontrei também um altar, sobre o qual estava escrito: Ao Deus desconhecido. Aquele, pois, que vós adorais sem o conhecer, esse vos anuncio! 

2. Das leituras espirituais, destaco o livro "Cristo versus Satanás em nosso dia a dia". O título chama atenção, bem como o conteúdo do livro também. O autor americano fala de tudo um pouco: manifestações demoníacas, desânimo e depressão, pecados capitais... eu gostei bastante da leitura, aprendi muitas coisas, sendo uma delas a de que o maligno quer que as pessoas NÃO questionem o estado das coisas do mundo. 

3. Da seção de literatura eu quero destacar "Rei Édipo" e "Antígona", as peças de Sófocles. Quando peguei para ler, não imaginava que encontraria tanta profundidade ali apesar de saber que os mitos por trás das peças são profundos e atemorizantes talvez (?). Eu não consegui ler tanto de literatura quanto gostaria, mas o que li me marcou profundamente. Também posso destacar aqui "O Idiota", do Dostô (o final me causou arrepios) e "Um Cântico para Leibowitz", de Walter Miller Jr., uma distopia que acompanha um mundo pós-apocaliptico sob a perspectiva de um mosteiro católico.

4. Agora, da seção que eu mais li em 2025, não ficção, destaco a minha releitura de "A Vida Intelectual" do Sertillanges e "Mito e Realidade" do Mircea Eliade.

Fiz resenha para O Idiota e para Mito e Realidade e estão *aqui*. Também registrei algumas das minhas leituras no goodreads.

Entretenimento 

* Filmes favoritos: A Vida é Bela (1997), O Príncipe do Egito (1998) e O Castelo no Céu (1986).
* Podcast que mais ouvi: Memoria Press | podcast em inglês sobre livros e educação clássica, bom para treinar o listening.
* Canais favoritos do youtube: Tatiana Feltrin e Literary Testing (livros) | julia belinatti (vlogs) | Thalita Campedelli (vlogs, maternidade e vida cotidiana)
* No final do ano eu comprei um livro de bobbie goods e é maravilhoso e divertido, estou pintando bem de vez em quando.

Música

Antes de qualquer coisa: EU FUI NO SHOW DO LINKIN PARK!!!!!!!!!! às vezes nem acredito, sabe? Foi um dos dias mais divertidos da vida. A Emily e o Mike são surreais ao vivo e a setlist foi dos sonhos (só faltou IGYEIH!) - os vídeos do show ficaram hilários, apesar de só conseguir ouvir meus gritos. A gente não conseguiu chegar a tempo de ver a Poppy no show de abertura, mas depois eu acabei ouvindo mais dela (e ficando triste por não ter visto o show). 2025 foi o ano de música mais pesada mesmo (rock!!!!!).

* Artistas favoritos: Radiohead, Linkin Park, Jeff Buckley e Turnstile.
* Álbums do ano: The Bends (1994), Grace (1994), From Zero (2024), GLOW ON (2022) e NEVER ENOUGH (2025). 
* Músicas favoritas: 
Dá para acreditar que ouvi uma dessas ao vivo! Nem acredito.

Momentos em fotos


* Meu cachorro ficou bem mal a maior parte do ano, mas ele tem seus momentos bons e ainda está com a gente :) estamos aprendendo a cuidar de um idoso de 16 anos.
* Passeamos bastante: conhecemos muito sebos, tomamos sorvetes...
* Show do Linkin Park :)
* Dei muitas aulas e, apesar do estresse, vivi momentos memoráveis.
* Acompanhei o conclave! Que momento emocionante (eu estava vendo na hora!!!).
* Fiz um curso de História da Arte Antiga e Medieval <3
* Passamos uma manhã de domingo no mosteiro e no carmelo aqui de Brasília e até gravei um vídeo.
* Fiz uma capa para o meu Kindle depois de 2 anos e isso me fez muito feliz.
* Fizemos uma viagem inesperada para Campinas e eu amei a cidade.

Tchau! 2026 vai ser um ano de muitas mudanças por aqui. Em breve espero poder escrever sobre elas.