terça-feira, 19 de março de 2024

Como é uma graduação em História?

Quando eu comecei a compartilhar um pouco mais sobre os meus estudos no Instagram, eu havia acabado de ingressar na graduação em História. Agora, dois anos e alguns semestres mais tarde, acredito que eu já tenha entendido a dinâmica do ambiente da graduação o suficiente para falar um pouco sobre o assunto e, eventualmente, ajudar alguém por aí que esteja em dúvida quanto ao curso de História ou só sanar a dúvida de algum curioso mesmo, hehe.

Antes, é importante deixar aqui algumas ressalvas:
 o primeiro deles é que eu estou no quinto semestre da graduação, portanto me formo no ano que vem. O segundo é que a minha graduação me habilita apenas como licenciada, ou seja, a principio, minha formação é voltada somente para o ensino regular (especificamente do 6º ano ao Ensino Médio). A terceira e última ressalva é que a minha graduação é à distância (assunto esse que também dá muito pano para manga), então eu não preciso ir à Universidade nem para realizar as provas, mas, apesar disso, eu tenho acesso às dependências da Universidade normalmente. Inclusive já fui lá algumas vezes para poder estudar na biblioteca.

Eu escolhi fazer uma graduação EAD por vários motivos sendo o principal a praticidade, porque sim: uma graduação à distância é uma das coisas mais práticas que existem (praticidade não é sinônimo de facilidade). Minha graduação continua sendo uma graduação como qualquer outra, porém, no caso do EAD, creio eu que o estudante tem uma responsabilidade ainda maior com a qualidade do seu aprendizado.

Além das matérias sobre História propriamente ditas, no meu caso, eu tive dois semestres de matérias voltadas à licenciatura. Neste período, você cruza com alunos das outras licenciaturas e da Pedagogia. Preciso confessar que eu achei essa parte um tédio infinito e que não via a hora de acabar. Eu aprendi um pouco sobre a dimensão burocrática do sistema educacional e sobre o ofício do professor em si. Neste período você passa pelas mais estranhas teorias pedagógicas possíveis e, de quebra, também passa por uns assuntos bem polêmicos no mundinho da educação.


Tudo pareceu muito abstrato até o momento em que eu entrei em sala de aula no ano passado. Tive a oportunidade de dar aulas de inglês em uma escola de idiomas por 2 semestres e posso dizer que muita coisa só se materializa quando você entende o que é uma sala de aula. Fui privilegiada de poder estar em um ambiente de ensino antes mesmo de me formar já que isso me deu muita segurança quanto ao que eu escolhi como caminho profissional. 

Porém... como a grande maioria das pessoas não entra em uma sala de aula como professor até o momento do estágio, fica difícil ter essa certeza quando à escolha pela docência. Falando sobre a minha experiência pessoal, posso dizer que eu sempre senti uma aptidão para ensinar e falar em público. Eu sempre gostei de seminários na escola e não era um problema falar para muitas pessoas. Isso foi, para mim, uma forma de me direcionar quanto ao meu destino profissional, apesar de que até o final do meu Ensino Médio eu não fazia ideia de que seguiria o caminho da docência. Eu prestei vestibular 3x tentando ingressar em Relações Internacionais (que bom que não deu certo).

Historiografia e Teoria da História ♡
Passado o caminho tortuoso das matérias do primeiro ano, eu adentrei no mundo da História. No terceiro semestre, quando comecei a lidar com as matérias da minha área eu estava *muito* empolgada. Contudo, eu caí na armadilha da
romantização e acabei quebrando um pouco a cara. Acontece a graduação é muito curta e rasa para cobrir uma área tão extensa quanto a História. Aliás, a História é uma ciência/uma arte que lida com a mudança. Portanto, mesmo depois de receber meu diploma e mesmo depois de me tornar professora de História, eu não vou ter chegado nem perto "do fim", por assim dizer.

Tudo isso para dizer que: a faculdade só te oferece uns petiscos, uns aperitivos. Grande parte do trabalho vai ser unicamente nosso. Dito isso, eu passei a entender que eu realmente deveria dividir meus estudos em: estudos da faculdade e estudos externos. Esses estudos externos ocupam maior parte do meu tempo. É através deles que eu me aprofundo no que foi mencionado na faculdade (sim, grande parte das coisas é só mencionada de forma muito breve) e que eu acabo descobrindo meus próprios interesses no mundo da História. Foi através desses estudos externos, aliás, que eu encontrei um tema que me gerasse um interesse genuíno para a escrita do meu artigo científico. 


A faculdade de História é embasada, principalmente, em leitura, muita leitura. Muitas vezes, o material oferecido não é bom. Então é fundamental buscar algo complementar. Ficar só naquilo que eles oferecem é um perigo. O problema é que essas leituras obrigatórias dos materiais tomam tempo e além delas, eu preciso seguir com os ditos estudos externos. Confesso que durante esse período eu já me perdi algumas vezes. É *muita* coisa para pouco tempo. 

Falando nisso, acho interessante explicar que a minha faculdade é dividida em bimestres, por isso eu geralmente só tenho dois meses, no máximo, para cada conteúdo. Deixo aqui a minha reclamação: isso é horrível. Contudo, eu aprendi a não me desesperar mais quanto a isso. Geralmente as pessoas entram na graduação com uma mentalidade de que pegando seu diploma, você automaticamente se torna um especialista na sua área. Olha... não funciona bem assim. A construção do conhecimento é bem cíclica. A gente passa pelos mesmos temas, pelos meus autores e ideias diversas vezes e cada vez que você passa por ali, você tem a oportunidade de apreender e notar algo diferente. No fim, os conhecimentos sempre se interligam de alguma maneira. Nós precisamos treinar nosso olhar para visualizar a realidade como um todo e perceber a integralidade da Verdade: 
Cada verdade é um fragmento que exibe em todos os seus aspectos suas ligações; a Verdade em si mesma é uma, e a Verdade é Deus. Cada verdade é um reflexo: por trás do reflexo, e dando-lhe valor, está a Luz (A vida intelectual - A.D. Sertillanges, p. 46)".

Estudando Historiografia com um mini-quadrinho branco.
Retomando a questão dos estudos externos, no ano passado eu tive tempo de fazer algumas leituras bem legais, dentre elas a Ilíada, do Homero. À partir daí passei a ter um interesse genuíno pela cultura grega, e principalmente, pela mitologia. Aproveitei a situação e juntei o útil ao agradável ao reunir meu interesse pelo tema com a oportunidade de escrever o meu primeiro artigo científico. Durante um mês e alguns dias eu me dediquei a pesquisa e à redação do artigo. 

Depois eu gostaria de escrever um pouco mais sobre esse assunto, mas comentando brevemente: eu publiquei o artigo em uma revista da minha própria faculdade. Pretendo escrever outro esse ano, pois vai me ajudar a ingressar em um possível futuro mestrado.

Agora, no quinto semestre, eu comecei as práticas de estágio obrigatório, sendo o primeiro deles o de gestão escolar. Neste tipo de estágio (que parece ser novo para as licenciaturas, aliás), nós precisamos realizar algumas horas de observação do trabalho de algum gestor escolar. No meu caso, eu fiz com uma coordenadora do Ens. Fundamental (6º ao 9º ano) e Ens. Médio. Foi bem rápido, mas muito interessante. O mais curioso da experiência foi que acabei estagiando na mesma escola em que estudei a vida inteira. 

Lá para o meio do ano terei o segundo estágio obrigatório e ano que vem o terceiro e último. Nos próximos eu precisarei de horas de observação e docência também. Confesso que sinto um frio na barriga só de pensar, mesmo que eu já tenha dado aulas. Sinto que a escola regular é diferente. Os estágios obrigatórios fazem parte de todos os cursos de licenciatura e são uma boa oportunidade para entender na pele o que é ser professor. 

Ufa, acho que terminei! Foi bastante coisa, hein? A última coisinha que eu gostaria de dizer é que os meus períodos históricos preferidos são a Antiguidade e a Idade Média. Amo estudar a cultura destes períodos, é o que mais me atrai. 

Caso surja alguma dúvida sobre o curso, pode deixar aqui que eu respondo. Até!

3 comentários:

  1. Adorei. Preciso manter esse hábito de estudar além do que é oferecido e ler, preciso ler mais, porém sempre me enrolo.

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    1. Aos poucos a gente consegue se ajustar :) nos primeiros semestres eu não entendia muito como e com o que poderia complementar, mas depois a gente se encontra.

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