quinta-feira, 5 de março de 2026

Comentários sobre Grande Esperanças de Charles Dickens

Ano passado, no natal, eu tentei ler pelo Kindle Um Conto de Natal do Dickens e, por incrível que pareça, não consegui terminar. Agora, em fevereiro, em meio as leituras da vida de estudos eu estava em busca de uma leitura de descanso para intercalar e acabei pegando da estante Grandes Esperanças e já posso começar dizendo: que surpresa maravilhosa.

Eu queria todos os livros dessa coleção maravilhosa.

O livro narra a história de Pip, um órfão criado pela irmã e pelo cunhado, no interior da Inglaterra, mas próximo da cidade de Londres. O Pip acaba recebendo uma espécie de herança misteriosa e logo a vida dele muda da água para o vinho: ele acaba saindo da vida pacata do interior em direção à vida tipicamente burguesa na capital. Vamos acompanhar, durante as 600 e poucas páginas, a rápida ascensão social de Pip e a lenta e dolorosa decadência moral. O romance é narrado em primeira pessoa pelo próprio protagonista e logo conseguimos perceber que, no meio dessa história por vezes mirabolante, alguma coisa deu errado. 

Eu fiquei surpresa com o desenrolar da história e com a quantidade de cliffhangers que o Dickens inseriu no romance. Essa "tática" faz sentido que os capítulos saíam no jornal. Por vezes senti que eu estava acompanhando um enredo típico de novela das nove (o que eu amei, inclusive). A narrativa é repleta de reviravoltas e não dá vontade de parar de ler (eu cheguei a ler 40 páginas em um dia sem nem reparar). 

Apesar de já ter lidos alguns títulos de autores ingleses, confesso que, pela primeira vez, eu senti interesse pelo país em si. As descrições do Dickens me fizeram pesquisar e abrir o google maps para saber mais sobre os lugares citados e vou confessar que a descrição sincera de Londres colaborou com meu esteriótipo sobre a cidade. Vale lembrar que o livro foi escrito em plena modernização e consolidação do capitalismo na cidade chamada "a oficina do mundo", logo o Dickens viveu e soube retratar magistralmente esse ambiente em sua escrita.

Podemos dizer que Grandes Esperanças é um livro sobre muitos assuntos, mas principalmente sobre arrependimento e sobre autoconsciência moral: o Pip nos mostra que a natureza humana é livre, mas principalmente, livre para se arrepender dos erros cometidos. Também nos mostra que a vergonha de olhar para si, de olhar para o passado, pode ser até uma tentação demoníaca contra o arrependimento genuíno. O Pip me ensinou a não ter medo das feridas abertas por situações e por pessoas: afinal de contas, nós mesmos não estamos isentos de magoar alguém, não é verdade?

As confissões honestas dos momentos de raiva, de vergonha e até nojo que o protagonista sente de pessoas ou lugares são convites para nós, leitores, a olharmos para nosso interior em busca de arrependimento e reconhecimento das nossas quedas. Pip, obrigada pela sua honestidade.

Poderia falar mais sobre muitas coisas: sobre a amizade dele e do Herbert, sobre a relação dele com os adultos durante a infância, sobre a figura peculiar da srta. Havisham e sobre o amor platônico dele por Estela. Sinto que o Dickens soube tratar dos mais variados temas de forma tão singela e natural que mesmo nos momentos inverossímeis da narrativa nos sentimos imersos em uma realidade dolorosa e, principalmente, REAL.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Detox de barulho pelas próximas semanas

Estamos na quaresma. Para os católicos, os quarenta dias que antecedem a Páscoa. É tradição escolher uma penitência para que possamos viver esse período de forma mais meditativa e intencional.

Geralmente a escolha da penitência é particular e privada (ninguém precisa saber), mas eu quis registrar aqui porque eu tenho fé em Deus que Ele vai me ajudar a seguir com a que escolhi para este ano que é não ouvir música.

Eu decidi registrar isso aqui não para me gabar (estamos falando isso em um blog e não no instagram! xD), mas porque acredito que esse "detox de barulho" vai mudar minha vida. Pelo menos é o que eu acho e espero. Digo isso porque dois anos atrás eu consegui, aos poucos, me desapegar do instagram e mudou minha vida também. 

Agora, o objetivo é me desapegar da música. Eu amo música e sempre vou amar, mas eu quero regular isso na minha vida porque percebi que não estava ouvindo música com o intuito de apreciar o conjunto (composição, melodia, intencionalidade), mas porque queria evitar o silêncio mental. Não sei como estava conseguindo estudar com música de fundo. Infelizmente eu estava hiperestimulada mesmo NÃO estando no instagram ou algo do tipo. Enfim, espero poder relatar a linha de chegada daqui um tempo. 

Para complementar o período de reflexão e reclusão, escolhi uma leitura espiritual que tem relação com o que comentei acima chamada "A força do silêncio: contra a ditadura do barulho". Vou aproveitar o ensejo para dizer que: estou sem palavras (kkkkkkkkkkkkkkkkk), que livro maravilhoso e precioso. Só está me fazendo sentir mais raiva do mundo de hiperestimulos e normalização do barulho. Graças a Deus minha vizinha barulhenta deu uma pausa desde o início do ano \o/. 

Frases do livro: 
★ "Não há lugar no mundo onde Deus esteja mais presente do que no coração humano. O coração realmente é a morada de Deus, o templo do silêncio."
★ "O que poderia ser mais justo e mais útil, mais natural e mais conveniente ao ser humano que amar o que é bom? E o que há de tão bom quanto o próprio Deus?"
★ "Quem ama a Deus deve tentar preservar ou criar a atmosfera em que possa encontrá-Lo. Os cristão deveriam ter lares tranquilos porque seus corpos, assim como suas casas, são templos de Deus."
★ "A vida de silêncio deve proceder a vida ativa."
★ "Sem silêncio não há descanso, serenidade ou vida interior."
★ "Os maiores mistérios do mundo nascem e se desenrolam em silêncio. Como a natureza se desenvolve? No maior silêncio."

★ "As maravilhas da criação são silenciosas e só podemos admirá-las em silêncio. A arte também é fruto do silêncio."

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Minhas leituras atuais

Atualmente estou tentando não enlouquecer com a quantidade de coisas que estou lendo. 

A quantidade se justifica porque estou me preparando para o processo seletivo do mestrado e eu ainda nem comecei a lista de leituras para a prova escrita. Já fazem quase dois meses que estava imersa nas leituras para o projeto e não faço ideia de quantos artigos e livros li e consultei desde dezembro. De qualquer forma, senti que ganhei habilidade para fazer consultas e notas eficientes de cada um. Agora quero aprender a fazer bons fichamentos.

Enfim, estou tentando ler coisas por fora também. Eu amo ler, mas às vezes me distancio da leitura por prazer e isso é triste. 

Agora, além das coisas que citei aí, estou lendo/relendo:

#1 Odisseia, de Homero.

Relendo, na verdade. Faz parte do meu projeto e a releitura está sendo boa (é um dos meus livros favoritos), mas não dá pra negar que o prazer da leitura se esvaneceu talvez porque agora tenha deixado de ser só entretenimento. De qualquer forma, estou feliz por reler e animada com o filme do Nolan (animada, mas sem expectativas).

#2 Grandes Esperanças, Charles Dickens.

Eu tentei ler "Um conto de Natal" no ano passado, pelo Kindle e confesso: não estava gostando. Desisti. Masss, acho que neste ano vou tentar ler novamente (em uma versão física). Essa edição de Grandes Esperanças estava aqui me esperando já tinha um tempo e peguei para ler semana passada. No início não estava me sentindo interessada pela história, mas insisti um pouquinho e que maravilha! Estou amando agora. Procurei um pouco sobre o enredo antes e saber, mais ou menos, o que vai acontecer me deixa animada para continuar. Tem capítulos de caráter mais psicológico bem bonitos. 

#3 A vida na Grécia, de Will Durant.

Comprei ano passado, no lançamento, por indicação do prof. Ricardo da Costa durante o curso dele sobre História da Arte. É um tijolo de 700 e poucas páginas sobre a Grécia. O Durant é, infelizmente, menosprezado pelos acadêmicos da atualidade e acho que entendo o motivo. De qualquer forma, a leitura é bem envolvente e já dei várias risadas lendo (?). Só Deus sabe quando vou terminar e SE VOU terminar. Enfim, não tenho pressa.

#4 A Grécia Arcaica de Homero a Ésquilo, da Claude Mossé.

Primeiro livro de biblioteca que leio na vida (não moro perto de nenhuma). Preciso confessar que não estou gostando da ideia de ter que ficar renovando, isso me deixa pressionada e eu não consigo ler um livro tão importante para mim de forma tão rápida. Não sei se vou terminar, estou pensando em só fazer uma leitura e mapeamento das ideias para devolver e pegar de novo posteriormente caso eu precise.

Estou usando o goodreads para registrar algumas dessas leituras :) (meu perfil aqui)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Mudei o nome do blog :)

Há um tempo eu estava querendo mudar o nome do blog porque nomes em inglês dificultam, né? Na verdade, eu não mudei, mas só traduzi. Agora é "leituras da Camila", bem melhor, né? Agora vou ter que reajustar todos os links por aí (igual mudar os documentos quando troca de nome hahaha).

Até mais!

Reflexões sobre exposição feminina

Vocês já notaram que, nas últimas décadas, a ideia de "ser mulher" está intimamente ligada com a necessidade de se expor?

Eu venho pensando sobre isto desde o ano passado quando a Taylor Swift começou a divulgação do seu último álbum. Preciso dizer que eu senti espanto e raiva. Sim, raiva. Raiva porque percebi que ela estava, aos poucos, entrando ao esquema asqueroso dessa indústria: se você quer permanecer no topo, vai ter que fazer concessões (e não que ela já não tenha feito, inclusive acho que a vida dessas artistas é construída sobre concessões contínuas da própria identidade, individualidade...). 

Eu vi uma postagem ontem no Instagram que provocava o seguinte questionamento: por que as mulheres, no universo do entretenimento, precisam estar em constante estado de performance enquanto os homens podem reivindicar essa necessidade de se construir uma persona para fazer sucesso? 

Será que isso talvez não tenha ligação com a construção social no Ocidente das últimas décadas de que a mulher, se quiser "tornar-se" mulher, precisa se expor? 

Já pararam para pensar no que aconteceu com a Sabrina Carpenter nos últimos anos? Essa moça, antes de se tornar o fenômeno que ela é agora, já tinha uma carreira. No entanto, o sucesso só veio quando ela decidiu diminuir a quantidade de roupas e aumentar o vocabulário de cunho sexual. Será que ninguém percebe isso? Se incomoda com isso?  

E eu digo isso não baseando minhas reflexões apenas no que vejo sobre a lógica da indústria pop, mas no vi que nas salas de aula, por exemplo, e no que eu mesma vivi nos últimos anos. Será que eu fui a única a passar pela fase de sentir que precisava chamar atenção? De que precisava usar roupas desconfortáveis e reveladoras caso quisesse ter uma personalidade? Ser vista como mulher? Eu notei isso no meio escolar. E foi triste e dilacerante. As meninas querem ter atenção masculina e isso passa pela necessidade de mostrar o corpo.

Por que isso acontece? De onde surge essa necessidade inconsciente? Será que não vem das imagens circuladas no imaginário social nas últimas décadas? Por que a noção de feminilidade atual está ligada com a ideia de um comportamento sexualizado? Qual é o papel do capitalismo, da sociedade de consumo e das figuras tidas como celebridades no cultivo dessas estruturas sociais que vêm sendo impostas sobre o universo feminino?

Penso que isso é reflexo do cultivo ao prazer na sociedade moderna. As mulheres querem se liberar do julgo alheio (lê-se: julgo masculino), mas não percebem que os seus comportamento supostamente libertadores direcionam-se à necessidade de perpetuar o prazer, o desejo de chamar atenção e de sentirem adoradas.

Preciso refletir mais sobre o assunto.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Favoritos de 2025

Eba! Mais uma lista de favoritos aqui. Este vai ser o segundo ano em sequência, o primeiro está *aqui*.

Já estamos em 2026 e neste ano o blog vai fazer dois anos! Eu nem acredito... passou muito rápido. Agradeço a minha amiga do Bosque do Robin por ter me trazido de volta para o mundo dos blogs. Amo pensar que, muito provavelmente, estes posts vão ficar para sempre na internet e que eu sempre vou poder voltar aqui para relembrar coisas e revisitar memórias. Bora lá, então.

Leituras

Em 2025 eu pude amadurecer um pouco mais o meu relacionamento com os livros e isso me fez atribuir mais sentido as minhas escolhas e compras. Comprei bastante em sebos e fui muito feliz com meus livros novos! 

Vou destacar um livro de cada seção:

1. Da Bíblia o livro favorito foi o Atos dos Apóstolos. Destaque especial para o episódio da Pregação de São Paulo em Atenas (At 17, 16-34): simplesmente um dos episódios mais incríveis não só da Bíblia, como da História Antiga: 

Paulo, estando em pé, no meio do Aréopago, disse: "Homens atenienses, em tudo vos vejo muito religiosos. Porque, indo eu passando, e vendo os vossos monumentos sagrados, encontrei também um altar, sobre o qual estava escrito: Ao Deus desconhecido. Aquele, pois, que vós adorais sem o conhecer, esse vos anuncio! 

2. Das leituras espirituais, destaco o livro "Cristo versus Satanás em nosso dia a dia". O título chama atenção, bem como o conteúdo do livro também. O autor americano fala de tudo um pouco: manifestações demoníacas, desânimo e depressão, pecados capitais... eu gostei bastante da leitura, aprendi muitas coisas, sendo uma delas a de que o maligno quer que as pessoas NÃO questionem o estado das coisas do mundo. 

3. Da seção de literatura eu quero destacar "Rei Édipo" e "Antígona", as peças de Sófocles. Quando peguei para ler, não imaginava que encontraria tanta profundidade ali apesar de saber que os mitos por trás das peças são profundos e atemorizantes talvez (?). Eu não consegui ler tanto de literatura quanto gostaria, mas o que li me marcou profundamente. Também posso destacar aqui "O Idiota", do Dostô (o final me causou arrepios) e "Um Cântico para Leibowitz", de Walter Miller Jr., uma distopia que acompanha um mundo pós-apocaliptico sob a perspectiva de um mosteiro católico.

4. Agora, da seção que eu mais li em 2025, não ficção, destaco a minha releitura de "A Vida Intelectual" do Sertillanges e "Mito e Realidade" do Mircea Eliade.

Fiz resenha para O Idiota e para Mito e Realidade e estão *aqui*. Também registrei algumas das minhas leituras no goodreads.

Entretenimento 

* Filmes favoritos: A Vida é Bela (1997), O Príncipe do Egito (1998) e O Castelo no Céu (1986).
* Podcast que mais ouvi: Memoria Press | podcast em inglês sobre livros e educação clássica, bom para treinar o listening.
* Canais favoritos do youtube: Tatiana Feltrin e Literary Testing (livros) | julia belinatti (vlogs) | Thalita Campedelli (vlogs, maternidade e vida cotidiana)
* No final do ano eu comprei um livro de bobbie goods e é maravilhoso e divertido, estou pintando bem de vez em quando.

Música

Antes de qualquer coisa: EU FUI NO SHOW DO LINKIN PARK!!!!!!!!!! às vezes nem acredito, sabe? Foi um dos dias mais divertidos da vida. A Emily e o Mike são surreais ao vivo e a setlist foi dos sonhos (só faltou IGYEIH!) - os vídeos do show ficaram hilários, apesar de só conseguir ouvir meus gritos. A gente não conseguiu chegar a tempo de ver a Poppy no show de abertura, mas depois eu acabei ouvindo mais dela (e ficando triste por não ter visto o show). 2025 foi o ano de música mais pesada mesmo (rock!!!!!).

* Artistas favoritos: Radiohead, Linkin Park, Jeff Buckley e Turnstile.
* Álbums do ano: The Bends (1994), Grace (1994), From Zero (2024), GLOW ON (2022) e NEVER ENOUGH (2025). 
* Músicas favoritas: 
Dá para acreditar que ouvi uma dessas ao vivo! Nem acredito.

Momentos em fotos


* Meu cachorro ficou bem mal a maior parte do ano, mas ele tem seus momentos bons e ainda está com a gente :) estamos aprendendo a cuidar de um idoso de 16 anos.
* Passeamos bastante: conhecemos muito sebos, tomamos sorvetes...
* Show do Linkin Park :)
* Dei muitas aulas e, apesar do estresse, vivi momentos memoráveis.
* Acompanhei o conclave! Que momento emocionante (eu estava vendo na hora!!!).
* Fiz um curso de História da Arte Antiga e Medieval <3
* Passamos uma manhã de domingo no mosteiro e no carmelo aqui de Brasília e até gravei um vídeo.
* Fiz uma capa para o meu Kindle depois de 2 anos e isso me fez muito feliz.
* Fizemos uma viagem inesperada para Campinas e eu amei a cidade.

Tchau! 2026 vai ser um ano de muitas mudanças por aqui. Em breve espero poder escrever sobre elas.