Minha vida enquanto leitora mudou muito nos últimos 4 anos.
Eu comecei a ler mais em 2020, durante a pandemia, por influência do meu namorado. Nós criamos nessa época um clube do livro e comentávamos sobre nossas leitura todo dia às 17h. Conseguimos manter a constância durante 1 ano! Posso dizer que foi assim que eu criei o hábito de leitura. Quando eu era adolescente eu lia algo ali e aqui esporadicamente, mas nada muito sério.
Desde então, muita coisa mudou. Eu mudei meus hábitos, comecei a faculdade e entendi os meus gostos no que diz respeito aos livros. Eu também comecei a consumir mais conteúdo na internet direcionado, especificamente, aos livros e, por um lado, isso foi bom porque eu pude conhecer muitos livros e autores interessantes. Muita coisa me despertou interesse enquanto leitora e isso foi positivo.
Porém, nesse meio tempo, como eu disse, eu comecei a faculdade. E na faculdade de história as coisas são bem 8 ou 80: ou você lê, ou você não lê e fica para trás. Por conta disso eu passei a ler bastante todos os dias. Sempre tem um texto, uma apostila, uma leitura complementar te esperando. O ritmo é acelerado. Tenho pouco tempo para tentar absorver o que leio e estudo. Por exemplo, estou estudando História Contemporânea agora e essa matéria cobre todos os eventos importantes do século XX. Hoje mesmo eu li sobre regimes totalitários e crise de 29! Tudo em uma tarde. Isso compromete muito os meus estudos e a eficácia deles (papo para outro texto).
Levou tempo para que eu percebesse que a leitura, no meu caso, não é puro lazer justamente porque faz parte do meu cotidiano e da minha futura profissão. A verdade é que muitas vezes eu estou cansada de ler e isso não foi fácil de entender. Talvez seja por isso também que eu tenha desanimado do meu perfil literário no Instagram. Nem sempre eu quero e estou disposta a ler, mesmo que seja por entretenimento (e está tudo bem).
Assistindo esse vídeo da Bárbara eu me identifiquei com ela no porquê de não conseguir mais planejar as leituras:
Ela comentou sobre como o ritmo e o percurso das leituras dela é meio 'irregular' se comparado com o padrão das pessoas. Para aquelas pessoas que têm a leitura, os livros e a absorção desses conteúdos como parte do trabalho, as coisas não são e nem podem ser tão simples assim.
Ela também comentou sobre algo que fez muito sentido para mim: sobre como é difícil compartilhar essas impressões sobre leituras e coisas do tipo nas redes sociais quando esse percusso não é regular como o das pessoas que têm a leitura como hobby e entretenimento. Um exemplo bem claro disso é o fato de que não costumo fazer resenhas para as minhas leituras. Eu gostaria de ter mais tempo e mais disposição para fazer comentários sobre as leituras e tal, mas a verdade é que essa não é a minha prioridade agora. Eu estudo lendo e essa é a minha prioridade agora: estudar história; ler, absorver e aprender a compartilhar esse conteúdo de forma didática para os meus alunos e, quando sobrar tempo, ler literatura e incorporar isso ao meu ensino de história e à vida. A literatura é o meu principal hobby, mas entendi que não preciso desesperadamente para cumprir com uma lista ou para provar que sou leitora de carteirinha. Ler X quantidade de livros não me torna menos ou mais leitora que fulano ou ciclano.
Essa questão me fez entender que listas e metas de leitura não funcionam para mim. Eu fiz uma lista de livros para 2023 que tinha uns 7 livros e se eu consegui ler 3 ou 4 foi muito. Significa que eu não li nada? Claro que não. Pulando para 2024: eu apostei na lista outra vez e tentei fazer uma lista compacta, assim como a anterior, e com livros que eu tinha na estante. Ok, esse foi o resultado:
Metade do ano já passou e eu não li nem metade da lista. Estou desesperada para terminar a lista a todo custo? Não. Durante esses meses eu deixei de ler alguns, comecei outros, finalizei alguns que não estão ali e, principalmente, consultei outros por várias razões. Aquela ansiedade que eu tinha para ler muitos livros foi passando no decorrer do tempo, e, com toda sinceridade, posso dizer que isso aconteceu porque eu aprendi a priorizar as coisas. Cada momento tem a sua exigência e necessidade. Acredito que seja importante entender o lugar de cada coisas em nossas vidas. Se gostamos de ler, precisamos responder para nós mesmos: porquê? Para quê? Depois que respondi essas perguntas eu passei a me sentir mais tranquila em relação a essas cobranças que eu tinha comigo mesma.
Outra coisa que também me ajudou durante esse período foi ter uma lista de leituras que eu desejo muito fazer porque sempre que tenho um tempo sobrando e posso escolher uma leitura eu acabo recorrendo a essa lista. Ah, também lembrei de outra coisa: essas listas que fazemos no início do ano nem sempre fazem sentido conforme as coisas vão acontecendo. De repente, descubro que outro livro pode ser mais interessante naquele momento. Não faz sentido começar uma leitura da tal lista se os meus estudos ou intenções naquele momento não tem nada a ver com o assunto do livro em questão. As coisas precisam caminhar juntas, os estudos precisam fazer sentido e precisam conversar entre si.
E, claro, estou falando isso me baseando na minha própria experiência enquanto estudante que passa maior parte do tempo lendo não por entretenimento.
Enfim, acho que esse desabafo ficou meio caótico, mas eu queria escrever sobre isso a um tempo.
Eu criei uma conta no Good Reads para registrar as leituras e tal, mas já estou achando que em breve vou acabar abandonando a rede social.
No momento eu estou fazendo estágio obrigatório (o que vem consumindo bastante do meu tempo), estudando História Contemporânea e lendo a Divina Comédia. Passo, sei lá, 70% do meu dia sentada de frente para o notebook com uns 4 livros na mesa. No final do dia, quais são as chances de querer ler mais? De querer consumir mais conteúdo sobre livros? São quase nulas.
Não sei se as coisas fizeram sentido ou se estou parecendo contraditória, mas é isso. Tchau.