quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Primeiros dias da primavera

Eu gosto muito da virada do inverno para a primavera. 

Aqui no Centro-Oeste (em Brasília, pelo menos) nós só temos duas estações bem definidas - verão chuvoso e inverno seco -, apesar disso, sinto que o tempo realmente muda na transição entre as duas estações. Em setembro temos o mês mais quente e seco, mas quando outubro se aproxima a natureza vai mudando e a chuva vem chegando. 

Estamos a uns 160 dias sem chuva, todo ano é a mesma coisa. Ficamos bem felizes quando os primeiros pingos chegam em outubro por aqui. Eu amo dias chuvosos, eles são especiais e têm uma beleza diferente dos outros. Sinto falta da chuva.

Nesse ano, o que mudou um pouco por aqui foram a gravidade das queimadas. De certa forma nós já estamos um tanto quanto acostumados com aquele cheiro da mata pegando fogo porque acontece todos os anos ao redor. Porém, nas últimas semanas foi bem mais intenso e grave. Vimos uma névoa espessa e amarelada que cobriu o céu de Brasília por dias.

Agora, parece que o calor está indo embora bem aos poucos. Estou bem ansiosa pela chuva.
Estes registros foram feitos nestes primeiros dias de primavera (que começou no domingo, dia 22) com uma câmerazinha digital aqui de casa. Quando passei para o computador fiquei surpresa com a qualidade das fotos.

O pé de morangos aqui de casa nunca esteve tão saudável e feliz. Os morangos não crescem tanto por alguma razão que desconhecemos, mas eles têm se multiplicado a cada dia. Já usamos para enfeitar um bolo de cenoura e para comer no café da manhã com panqueca. Eles são uma gracinha e espero que fiquem vivos por bastante tempo.

Eu fico muito impressionada em como as cores da natureza se complementam. A diversidade das cores também é impressionante. Esse verde das folhas é surreal de lindo, sem dúvidas uma das minhas cores preferidas.

Eu também quis redecorar meu quadro de cortiça com coisas relacionadas à primevera. Ficou assim:

Minha mesa também foi alvo da câmera digital. Estas são as minhas leituras do momento. Aquele urso lendo ali foi um marca-páginas que fiz ontem! O saquinho de coelho feito pela minha amiga também é pura primavera. Estou amando Jane Austen e uma das minhas coisas preferidas tem sido as descrições da natureza.

Sigo confirmando a minha teoria de que o segundo semestre do ano sempre passa mais rápido do que o primeiro. Ja já estamos comemorando o Natal, mas enquanto isso quero aproveitar os dias como eles são. A cada dia basta o seu cuidado e atenção.








Até mais!

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Sobre formar-se: o espirito deve triunfar sobre a matéria.

Continuando as leituras dentro do tema educação, acabei começando a leitura de um livro que até então só tinha usado para fazer consultas: A Formação da Personalidade, do Padre Leonel Franca. Por isso, quero muito ir escrevendo breves reflexões por aqui conforme eu for lendo.

Amo essa capa!

Acho que já comentei por aqui sobre como eu sou um tanto quanto pessimista quando o tema é educação e é engraçado falar isso enquanto estudo para ser professora (e professora de história ainda por cima...).

Ontem estava no Instagram e vi um post sobre como a maior parte das pessoas formadas em história não exercem a profissão ou estão desempregadas. Nos comentários o que havia era basicamente tristeza, lamentos e pessoas desaconselhando as outras a NÃO seguirem por esse caminho, pelo caminho da docência no geral. Olha, se eu tivesse escolhido ser professora simplesmente por escolher, sem nenhum motivo mais concreto, eu já estaria em uma crise existencial daquelas. Estudar sobre o que é uma boa educação e sobre a importância dela são alguns dos motivos pelos quais eu continuo no meu caminho aparentemente tortuoso. 

Parece ser meio radical hoje em dia não querer viver pensando ou tomando decisões somente pelas circunstâncias temporais e espaciais em torno de nós. A materialidade da vida moderna não somente triunfou sobre o espírito, mas o aniquilou

Nessa primeira parte do livro, o Padre fala algo interessante sobre como a aquisição de técnicas, de meios para exercer determinada profissão precisa estar em consonância com a formação do homem. Ora, isso é exatamente o oposto do acontece hoje em dia. Os anos de estudo e de especialização nem se quer tocam o espirito dos homens hoje em dia. Vemos as escolas, as faculdades, os cursos profissionalizantes instruindo homens e não formando-os.

Mas ok, o que seria exatamente essa formação? Seria o cultivo daquilo que nós temos de melhor, daquilo que está adormecido em nossas naturezas decaídas. A verdadeira educação preocupa-se primordialmente em despertar a perfectibilidade adormecida no homem por meio das virtudes e dos hábitos. É tornar-se bom, instruir a vontade, ser capaz de tomar decisões direcionadas ao Bem.

Não somos de ceira, somos de mármore.

Acontece que o homem não consegue formar-se pelas suas próprias forças: ele é dependente, é tributário, nas palavras do Padre, do tempo e do lugar que vive. Não somos espíritos; pelo corpo, entramos no espaço e no tempo, pertencemos a um país, a uma raça, e daí sofremos inúmeras restrições nos nossos desenvolvimentos possíveis (p. 17).

E pensar sobre tudo isso me levou de volta aos meus estudos do ano passado enquanto me preparava para escrever sobre a educação dos gregos antigos. Educação esta que também é configurada como clássica e que se diferencia enormemente da educação moderna justamente por esta questão: conforme os séculos foram passando, a educação foi se descolando do aspecto formativo e se tornando cada vez mais apenas instrutiva e enciclopédica. Esse parece ser, a meu ver, o cerne do problema da educação moderna.

A educação participa na vida e no crescimento da sociedade, tanto no seu destino exterior como na sua estruturação interna e desenvolvimento espiritual; e, uma vez que o desenvolvimento social depende da consciência dos valores que regem a vida humana, a história da educação está essencialmente condicionada pela transformação dos valores válidos para cada sociedade. À estabilidade das normas válidas corresponde a solidez dos fundamentos da educação (Werner Jaeger em Paideia, p. 6).

domingo, 22 de setembro de 2024

Instrução e educação: qual é a diferença?

Nas últimas semanas eu conclui meu estágio no Ensino Fundamental. 

Estudar sobre educação e sobre a anatomia da sala de aula é interessante (e angustiante se considerarmos a situação da educação no mundo atualmente), mas estar em sala de aula enquanto professor é algo totalmente diferente.

A minha experiência de um ano como professora de inglês me possibilitou refletir sobre algumas questões relacionadas a todo o processo educacional, mas acredito que esse estágio tenha me tocado ainda mais. Por isso, eu acabei fazendo algumas leituras e releituras dentro do tema educação

O que andei lendo e/ou consultando:

1) Um artigo do final dos anos 40 da inglesa Dorothy Sayers intitulado The Lost Tools of Learning (As Ferramentas Perdidas da Aprendizagem);
2) Um livrinho chamado Meditar e Aprender do Hugo de São Vitor escrito no início do milênio passado. 
3) Alguns trechos da obra A Formação da Personalidade do Pe. Leonel Franca que reúne textos e palestras que foram dadas pelo autor no século passado. 

O que chama minha atenção e desperta o meu interesse é a compatibilidade entre ideias e valores que existe entre os autores que tratam da boa e verdadeira educação. Veja, todos estes autores da lista acima viveram em tempos e circunstâncias diferentes entre si, mas todos eles possuem um fio condutor que permeia aquilo que defendem em suas obras: o pressuposto de que a educação possui um caráter de interioridade. 

Mas como assim, interioridade? É a ideia de que a educação verdadeira não se sustenta apenas com a instrução externa de quem aprende. A verdadeira educação sustenta-se com a consciência de que o homem, por natureza, possui uma inteligência que precisa ser moldada, polida e cultivada.

A educação, ao contrário da mera instrução, busca elevar o homem e extrair de si mesmo aquilo que está adormecido em seu íntimo. Nesse sentido, a apreensão de conhecimentos das mais diversas áreas, deve estar, primeiramente, subordinada a esse propósito: o de educar a inteligência e a vontade humana. Não apenas instruir os alunos, mas formá-los moralmente, torná-los livres das próprias paixões. 

Nas ideias dos três autores reside a ideia de que a verdadeira educação possui um ideal a ser almejado, ideal este que deseja alcançar nada mais, nada menos que a perfectibilidade adormecida na natureza humana. Essa perfectibilidade traduz-se de forma prática por meio das nossas escolhas e do nosso padrão de conhecimento, segundo o Padre Leonel. 

Tudo isso para dizer que: o que acontece hoje nas escolas não é educação. Sinto lhes dizer. Não há compromisso em forjar o caráter dos alunos, mas somente o de gerar documentos que comprovem ao Estado a formalidade da educação dos alunos. É duro, mas é a realidade. Aprendi isso com o professor Monir Nasser. 
Toda escola que não desce até ao âmago das consciências para aí esculpir as grandes linhas diretrizes da atividade humana é uma escola vitalmente mutilada; poderá instruir inteligências, não formará homens. (trecho de A formação da Personalidade)

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Uma história sobre desespero ou esperança? | A morte de Ivan Ilitch de Liev Tolstói

Ivan Ilitch personifica o arquétipo do homem materialista que busca o porquê das realidades visíveis em si mesmas. Seja no casamento, na relação com os filhos ou no próprio trabalho: a matéria por si basta. 

Como um bom egoísta, Ivan coloca o próprio trabalho como centro de tudo já que somente neste âmbito de sua vida miserável ele pode admirar a si mesmo sem precisar olhar para qualquer outra coisa que não seja o próprio umbigo. Pensar na esposa e nos filhos? Nem pensar. Isso diminuiria as suas chances de uma vida tranquila e agradável que tanto desejava. As relações com outros além de si mesmo não passavam de meros contratos sociais necessários para manter o seu status na decadente sociedade russa do século XIX.

Acontece que Ivan Ilitch só percebe a sua tamanha miséria nos últimos meses de sua vida enquanto a morte se aproximava vagarosamente através de uma doença lenta, dolorosa e silenciosa. E é somente diante do sofrimento extremo que a personagem da novela de Tolstói se questiona, pela primeira vez, o porquê daquele sofrimento tão cruel logo com alguém que havia vivido de forma tão sensata e correta: "mas eu fiz tudo o que deveria ser feito", repetia a si mesmo em meio à morte.

A crueza da novela de Tostói tem o seu ápice nas últimas páginas onde Ivan Ilitch se depara com as questões mais fundamentais que cercam a natureza humana e transpassam tempo e espaço justamente no momento de sua morte onde, talvez, fosse tarde demais para que ele mudasse algo já que se encontrava no estado mais miserável que poderia estar. 

Sim, eu tinha a vida, e agora ela está indo embora, indo embora, e eu não consigo detê-la, Sim. Por que me enganar? Por acaso não é visível a todos, exceto a mim, que estou morrendo? A questão é só o número de semanas, de dias - talvez agora mesmo. Antes havia luz, mas agora há trevas. Antes eu estava aqui, mas agora vou para lá! Para onde?” Foi tomado por um frio, a respiração parou. Ouvia só as batidas do coração. 
“Eu não existirei mais, então o que será? Não será nada. Então onde eu estarei quando não existir mais? Será mesmo a morte? Não, não quero.”

 Ivan assiste, diante de sua própria consciência, o seu império de conquistas materiais se desfazendo diante dos próprios olhos. Já era tarde demais para tentar se agarrar a algo que não fosse a própria doença e o desespero que o cercava. Fiquei pensando sobre quantas vezes esse cenário se repete por aí todos os dias e quão angustiante deve ser tentar encontrar um sentido para vida no momento da morte.

Esta leitura entrou na minha lista de livros que mais me fizeram pensar. Foi o meu primeiro contato com a obra do Tolstói e me surpreendi com a linguagem tão direta e objetiva que encontrei na leitura em questão. Veja bem, linguagem direta e objetiva não quer dizer inferior, mas muito pelo contrário: a perfeição da obra se encontra justamente no fato de que em poucas páginas e de forma tão direta, o autor consegue nos fazer refletir sobre questões tão complexas e profundas. A execução da obra é uma coisa magistral. Acredito que essa leitura seja uma ótima porta de entrada para os clássicos. 

Eu não posso deixar de pensar em outras leituras que fiz e que me fizeram pensar sobre coisas semelhantes. Eu só posso dizer que viver como o Ivan Ilitch (sem orientação e motivo para fazer qualquer coisa) me parece ser a receita mais dolorosa para a loucura. Acontece que muitos se dão conta disso antes de morrer e conseguem lutar contra o tempo, mas muitos (como no caso da leitura), só descobrem isso tarde demais... fora os que nunca descobrem isso. Que triste. Mas que bom que o Tolstói pôde escrever esse livro tão triste e angustiante para nos fazer pensar nisso. A literatura realmente é poderosa: nos faz ir encontro com as mais diversas possibilidades da realidade. Seja essa realidade feliz, triste, angustiante, esperançosa. Os bons livros nos fazem pensar sobre as Verdades eternas.

No fim, esse livro me fez pensar sobre como precisamos dotar nossa vida de sentido e fazer com que as coisas sejam feitas com amor e pelo Amor. Só assim podemos encontrar descanso em meio a tanta desordem. Para mim, enquanto católica, ficou bem claro que esse livro não é sobre angustia ou desespero, mas sobre esperança. Deus nos presenteia com o tempo, com o dom da vida e com a inteligência. Estes três presentes precisam ser utilizados em conjunto para a honra e glória de Deus.

Dotar a vida de sentido: eis o que ficou para mim de A morte de Ivan Ilitch. 

Quem ama a sua vida, irá perdê-la; mas quem odeia a sua vida neste mundo, 
irá conservá-la para a vida eterna. (João 12,25).

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Sobre o Paraíso de Dante e últimas impressões sobre a Divina Comédia (diário de leitura)

Depois de uma jornada de 5 meses finalizamos a leitura da Divina Comédia! Acho curioso pensar que a narrativa do livro inteiro se passa em uma semana.

Falei mais sobre a edição que escolhi na parte I e II dos diários de leitura.

O Paraíso foi surpreendente e digo isso de duas formas: primeiro porque é, de fato, a melhor parte dentre das 3 que compoem a obra; segundo porque é uma das coisas mais bem escritas na história da humanidade e pensar em como alguém pôde ter sido capaz de escrever algo assim é desconcertante. Confesso que fico meio (?) em ver outros leitores falando que não gostaram do Paraíso. 

Isso porque é claramente perceptível como a obra segue uma gradação: tanto em relação aos símbolos, descrições e ilustrações (do Gustave Doré, no caso). A obra realmente ascende conforme a viagem de Dante vai se desenrolando. 

Apesar disso tudo, preciso confessar outra coisa: a Divina Comédia, ao contrário do que eu imaginava, não se tornou um dos meus livros prediletos. Sem sombra de dúvidas é uma das melhores coisas que já li (daqui para frente vou ser ainda mais crítica com o que leio hehe), mas eu não posso dizer que gostei tanto a ponto de se tornar um favorito. Eu gostei de partes mais específicas e não do todo. Cantos específicos e passagens específicas me marcaram muito, mas a montanha-russa de emoções e opiniões durante os 5 meses acabaram me desanimando em alguns momentos. Talvez a extensão da leitura tenha sido um ponto considerável para isso. Meu namorado queria ficar lendo por mais tempo KKKK. Pode ser que uma releitura feita com mais bagagem no futuro faça a minha opinião mudar.

É condição da alta e serena vida
sujeitar-se à divina volição,
que torna sua própria, co' ela unida. (Canto III, 79-81)

Falando especificamente sobre o Paraíso: assim que comecei a leitura senti mais dificuldade. Eu deixei de consultar mais de uma tradução porque meu tempo dedicado à leitura foi diminuindo conforme a leitura foi avançando, então eu só usei a minha edição mesmo, com a tradução do Cristiano Martins. 

Quando um Canto me chamava mais atenção ou eu sentia que as notas disponíveis na minha edição não eram suficientes eu consultava o livro The Divine Comedy: III Paradise da Dorothy Sayers. Encontrei PDF na internet. Eu usei o segundo da mesma série quando estava lendo o Purgatório e posso dizer que a diferença foi grande. Para quem está procurando um baita livro de apoio recomendo essa série.

Falando em livros de apoio, eu pretendo fazer uma lista com os sites e materiais de apoio que utilizei durante esses 5 meses. Em breve devo postar por aqui.


Algo que ficou marcante para mim nessa última parte foi a questão da Cosmologia medieval. Até então esse assunto era totalmente desconhecido para mim. Inicialmente, estranhei bastante até entender, minimamente, um pouco da visão medieval acerca da disposição do Universo. No livro da Dorothy encontramos uns gráficos e esquemas muito bons que me ajudaram MUITO. 

Ainda sobre o assunto, eu li um artigo maravilhoso e esclarecedor sobre o assunto chamado Olhando para as estrelas, a fronteira do imaginário final: Astronomia e Astrologia na Idade Média e a visão medieval do professor Ricardo da Costa. Logo no início, o professor fala sobre a importância de "aprisionarmos" o autor em seu tempo até para que possamos evitar anacronismos e coisas do tipo e isso me fez pensar como é importante tentarmos aproximar o nosso olhar do olhar do autor ao máximo quando nos aproximamos de uma obra como a Divina Comédia. Apesar de ser um grande clássico que ultrapassa as barreiras do tempo e espaço, também encontramos diversos traços temporalizantes dentro da obra. Acredito que para aproveitarmos o que a obra tem a nos oferecer precisamos voltar temporalmente por meio de nossas imaginações e o artigo me ajudou muito com isso!

Uma das coisas mais importantes que aprendi durante essa leitura foi o fato de que os medievais dividiam a disposição do Universo em duas partes: uma chamada supralunar e a outra sublunar. A esfera sublunar é onde as obras da natureza se encontram e a supralunar é onde estão os anjos e santos na glória de Deus. Esta esfera, a supralunar, emitiria fluídos invisíveis que seriam responsáveis por influenciar as coisas no mundo sublunar. Foi importante entender isso tanto quanto leitora da Divina Comédia como estudante de história que tem muito interesse pela mentalidade do medievo.

Sede cautos, Cristãos, no professar,
não vos abandoneis, qual pluma ao vento;
que água não achareis por vos lavar.

Tendes o novo e o velho Testamento
e da Igreja o pastor que ao bem vos guia:
mais não requer o vosso salvamento. (Canto V, 73-78)

Também aproveitei para ler A Vida de Dante do Giovanni Boccaccio, como havia comentado no último diário de leitura. Durante a leitura, surgiram alguns questionamentos sobre a vida pessoal do Dante e eu logo pensei que seria legal ler uma biografia sobre ele. Lá fui eu pesquisar e descobrir que realmente existem muitas opções, mas todas opções eram calhamaços ou quase calhamaços. 

Nesse pequeno livrinho, encontramos a primeira biografia sobre o Dante. O Boccaccio foi um dos principais propagadores da obra de Dante após a morte deste. Ele também foi o responsável por organizar as primeiras leituras em público da Divina Comédia. Achei o livro curiosíssimo porque foge completamente da nossa concepção de uma biografia moderna. O que o Boccaccio faz, na realidade, é louvar o Dante. Ele pincela sobre acontecimentos particulares acerca da vida do Dante, mas não há nada muito aprofundado ou algo do tipo. Além dos traços biográficos que o livro carrega, encontramos apontamentos pessoais do próprio Boccaccio sobre outros assuntos paralelos como a origem do ofício do poeta. Parece aleatório, mas eu gostei bastante das reflexões que ele faz.

Aqui (no Paraíso) não nos afeta o mal nefando,
que não nos volve à mente a culpa antiga;
à luz de Deus nos vamos alegrando. (Canto IX, 115-117)

Queria muito ter tido mais tempo para estudar a obra, ainda mais nessa terceira parte, porque a simbologia aqui é uma coisa incrivelmente curiosa e importante. Queria ter tido mais tempo para estudar a simbologia acerca dos planetas porque o Dante distribui as almas dos Bem-Aventurados de acordo com o planeta, como por exemplo, no céu de Saturno ficariam os espíritos dos contemplativos; no Sol, ficariam os teólogos e na Lua, ficariam os inconstantes (pois fases da Lua e etc). Não pude explorar essas particularidades mas, se Deus permitir, pretendo reler essa obra outras vezes. 

Encontre os outros diários
de leitura aqui.